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terça-feira, 19 de abril de 2011

Fa7 realiza curso sobre Simone de Beauvoir

A  Faculdade 7 de Setembro (Fa7) que fica na rua Rua Almirante Maximiano da Fonseca, 1395,  Eng. Luciano Cavalcante, Fortaleza, Ceará, está oferecendo um curso ministrado pelo Carlo Tursi que é um é teólogo católico e membro da recém-eleita coordenação arquidiocesana de CEBs, em Fortaleza, Ceará, intitulado : Mulheres que pensam: Simone de Beauvoir.

A duração do curso vai de 19/04/2011 até 28/06/2011, com o horário das aulas de 19h30 às 21h30, sempre as terças.

No site da faculdade, o engajamento ao qual Carlo Tursi se propõe, nos parece um tanto obscuro, assim como a temática. Infelizmente, por motivos de tempo, transporte e dinheiro, nenhum dos membros do grupo de estudo vai poder estar presente para poder participar do curso, mas, maiores informações que obtivermos, estaremos postando aqui.

Maiores informações e inscrições pelo site:

terça-feira, 5 de abril de 2011

O Segundo Sexo Vol. 1 - Cap. 1 (Parte 4)

O Segundo Sexo
Capítulo 1 - Os dados da Biologia ( Parte 4)
Páginas 53 - 57


Durante muito tempo a resposta para a pergunta sobre qual dos dois gêneros é o mais importante na espécie foi fundamentada na fisiologia, ao passo que por vezes recorreu-se à descrições estáticas, muito embora a humanidade possa ser tomada como um sinônimo para vir-a-ser. Outros tantos procuram promover comparações matemáticas entre homens e mulheres, definindo suas capacidades funcionais; chegou-se até a medir o peso do encéfalo de ambos, ondeo encefálo feminino saiu em vantagem por ser relativamente mais leve. Entretanto, relacionando-se o peso do encéfalo com o peso do corpo de cada indíviduo, chega-se a uma igualdade. Muito embora, muitos estudiosos as tenha utilizado essas discussões se tornam desisteressantes por não haver nenhuma relação do peso do encéfalo com a inteligência de uma pessoa.

Segundo Beauvoir, todas as tentativas de comparar machos e fêmeas enquanto espécie humana se tratam de puro devaneio, uma vez que é somente numa perspectiva humanista que essa comparação pode ocorrer. No entanto, o homem é , segundo a corrente existencialista, aquilo que ele se faz ser, ao passo que a mulher é um vir-a-ser, e é nesse vir-a-ser que suas possibilidades deveriam ser definidas.

Nos parágrafos que seguem, Beauvoir passará a questão biológica da mulher; ela inicia dizendo que a mulher é mais fraca que o homem fisicamente falando, assim como é mais instável e mais frágil. Mas é certo que, a perspectiva da inferioridade muscular só é conveniente aos homens, e quando a força não se torna necessária as diferenças caem por terra. Sua natureza só se torna real para ele a partir do momento que retorna a sua ação. Diferentemente dos animais, a mulher tem sua maternidade definida pela sociedade na qual está inserida, logo, as "possibilidades" individuais da mulher dependem da sua situação econômico-social. Entretanto, mesmo perdendo superioridade na espécie, a fêmea reconquista uma dada autonomia no momento de sua maternindade.

Podemos perceber que a seguinte pergunta norteia todos os argumentos da obra: No seio dessas sociedades que é mais necessário à espécie, o macho ou a fêmea? No âmbito do coito e da gestação, macho e fêmea se diferenciam porque um cria para manter, enquanto o outro mantém para criar. Ambos assim são necessários porque mesmo quando a mãe deixa de amamentar seus filhos, o pai surge como figura importante na sobrevivência destes. É, portanto, submetidos à leis e regra que o sujeito passa a ter consciência de si mesmo e se realiza; desse modo, não é a fisiologia ou a biologia que cria valores. Assim, a superioridade muscular do homem, na teoria, não é sinônimo de poder, posto que o respeito que inspira a mulher impede o emprego da violência.

É sob o foco de contextos ontológicos, econônicos, sociais e psicológicos que Beauvoir procura estabelecer a sujeição da mulher à espécie, bem como a sujeição de seu corpo como elemento responsável por estabelecer sua posição neste mundo. É preciso, portanto, analisar de que maneira a natureza da mulher foi revista no transcorrer da história.

terça-feira, 1 de março de 2011

O Segundo Sexo Vol I - Cap 1 ( Parte 3)

O Segundo Sexo
Capítulo 1 - Os dados da Biologia ( Parte 3)
Páginas 41 - 52


Beauvoir se dedica em explorar distintas espécies animais para mostrar que a divisão sexual existente em cada uma delas não pode ser compreendida de modo unívoco, isto é, macho e fêmea não necessariamente ocupam as mesmas funções sexuais e responsabilidade com a prole em todos os animais indistintamente. Para tanto, Beauvoir cita como exemplo os peixes, entre os quais há aqueles que não fecundam através do coito, mas expelem ambos o sêmen (macho) e os óvulos (fêmea), donde a fecundação ocorre fora de ambos, não tendo nenhum dos dois a “posse” dos fecundados. A fêmea, em algumas espécies, nem sempre desempenha a função de protetora do ninho, havendo casos em que o macho é o responsável por tal momento.

No entanto, segundo aponta Beauvoir, nos mamíferos “a vida assume as formas mais complexas e individualiza-se mais concretamente”. Os dois momentos vitais, o manter e o criar, que em outras espécies não possui uma cisão definitiva, assumem-na aqui na separação dos sexos, na qual a fêmea possui um laço mais estreito com os filhos do que o macho. “Todo o organismo da fêmea adapta-se à servidão da maternidade”, até mesmo o momento do coito não é por ela decidido: é refém de ciclos em que ela se torna fértil – o cio – e que emite sinais aos machos, contudo não cabe à fêmea impor o coito, mas ao macho. Isso também é exposto pelo modo como se dá a fecundação: o macho se põe sobre a fêmea, acima dela, ele que insere o seu órgão dentro do dela, é ela quem recebe passiva, ela sofre tal ação.

Para Beauvoir, a diferença fundamental nos mamíferos entre o macho e a fêmea está no fato de que, enquanto no macho o espermatozóide sai dele para ir a outro corpo, isto é, transcende-se em outro corpo se tornando estranho ao macho superando sua individualidade, na fêmea, por outro lado, o óvulo, fecundado pelo espermatozóide, instala-se no útero, ou seja, no interior na própria fêmea. Ela é fecundada por um ser que lhe é estranho e que se alimenta dela mesma em seu interior. Ela é si mesma e outrem, mesmo depois do parto, quando a prole se alimenta de seu leite. Daí se questiona: a partir de quando este ser se torna autônomo? Quando fecundado, quando nasce, ou na desmama? Todavia, é interessante notar em que sentido ela afirma sua individualidade, pois embora seja tão competente quanto o macho nas características de sua espécie, ela não se põe ao macho, não reivindica sua individualidade.

O macho assume aqui o papel positivo, que supera a si mesmo, ao passo que a fêmea parece se manter em si mesma: Beauvoir cita Hegel, o qual lê no macho o elemento subjetivo. Seu organismo não o consome, ao contrário do da fêmea, e o macho não se vê impelido a manifestar interesses pelos filhos.

No entanto, embora os dois sexos representem “dois aspectos diversas da vida da espécie”, “sua oposição não é (...) a de uma atividade e de uma passividade”. Ora, o espermatozóide só tem vitalidade quanto em união com o óvulo, donde este só pode também se manter ao se superar, do contrário degeneraria, de modo que vemos nele também uma vitalidade quando em conjunto com o espermatozóide. Manter e criar, os dois momentos vitais, caracterizam-se por, respectivamente, “negar a dispersão dos instantes”, isto é, “afirmar a continuidade durante o seu aparecimento” (o manter), e “fazer rebentar no seio da unidade temporal um presente irredutível” (o criar). A fêmea não é restringida a si mesma, ela participa da continuidade da vida, a superação depende tanto do macho quanto dela, “é-lhe permitido afirmar-se em sua autonomia”, mesmo sua individualidade sendo combatida pelo interesse da espécie, sendo possuída por força estranhas a ela, sentindo a servidão.

Beauvoir expõe dados biológicos relacionados aos hormônios na fêmea e no macho, donde percebe que, inicialmente, não há diferenças substanciais entre ambos, acontecendo até mesmo casos em que a fêmea demonstra certos caracteres masculinos, não significando, todavia, que isto represente uma vitória do indivíduo sobre a espécie. Há que se atentar para o fato de que os órgãos genitais têm muita influência na vitalidade do indivíduo, a ponto de que aquele que foi castrado ou que teve uma má formação, tende a ser não apenas estéril, mas, degenera mais facilmente. Contudo, “muitos fenômenos genitais não interessam a vida individual do sujeito e até chegam a pô-la em perigo. As glândulas mamárias que se desenvolvem no momento da puberdade nenhum papel desempenham na economia individual da mulher; pode-se proceder à sua ablação em qualquer momento de sua vida”.

Simone de Beauvoir empreende, então, a uma análise do modo como o aparelho reprodutor feminino opera mensalmente, tendo como intenção expor que tal o processo abala o organismo da mulher por inteiro, inclusive o sistema nervoso central, o vegetativo e todas as vísceras. Por conta disso, a maioria das mulheres apresenta perturbações nesse período: tensão arterial, aceleração do pulmão, aumento de temperatura, dores no abdome etc. Ao ter o sistema nervoso atingido, sofre por conseguinte uma grande instabilidade de humor. É aqui que ela sente seu corpo sob uma perspectiva penosa, alienada. “A mulher, como o homem, é seu corpo mas seu corpo não é ela, é outra coisa”.

Sob um ponto de vista fisiológico, a gravidez não traz à mulher nenhum benefício individual, ao passo que exige sacrifícios. Beauvoir mostra que, embora haja a visão psicológica da maternidade, a fêmea humana é, entre as demais fêmeas, aquela que tem a mais penosa das gestações, onde seu corpo literalmente sofre com a gravidez. Em certos casos, dependendo da saúde da gestante, sua própria vida e a da criança correm riscos; por vezes o corpo não suporta, a espécie mata o(s) indivíduo(s). A batalha entre espécie e indivíduo continua após o parto.

A mulher parece se coincidir mais consigo mesma ao se libertar do mênstruo, quando, na menopausa, sua atividade ovariana desaparece. É interessante perceber que, ainda aqui, ela passa a sofrer com as consequências dessa cessação. Não obstante, ao menos se liberta da servidão da fêmea.

Ao nos depararmos com tal imagem da fêmea humana, percebemo-la como desprivilegiada com relação às demais fêmeas e com a existência do macho. É, entre todos, a mais alienada, ela é quem mais sofre com seu próprio corpo. Tais descrições biológicas têm como base mostrar o modo como se constitui o corpo da mulher, visto ser ele o instrumento pelo qual é possível apreender o mundo. Todavia, embora seja de grande importância, ele não explica, segundo Beauvoir, o motivo pelo qual a mulher é considerada o Outro, não é capaz de traçar um destino imutável à mulher. Daí a necessidade de se avançar na pesquisa, em vez de buscar respostas somente nos aspectos fisiológicos.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

O Segundo Sexo Vol I - Cap 1 ( Parte 2)

O Segundo Sexo
Capítulo 1 - Os dados da Biologia ( Parte 2)
Páginas 31 - 41

Nesta parte ao qual este resumo se refere, Simone de Beauvoir toma como ponto inicial o processo de fecundação para chegar ao entendimento que tanto macho ou fêmeas terminam por serem escravos de sua espécie, embora cada um tenham suas similaridades, como por exemplo, a função de um zangão é diferente da abelha rainha, mas ambos, em suas particularidades, são condicionados por sua espécie. Podemos dizer o que uma abelha ou um zangão são, pelos dados que a Biologia nos fornece, mas no ser humano, isso torna-se problemático, pois a Biologia não fornece os dados que diga qual seria o verdadeiro lugar da mulher ou do homem na sociedade ou o que eles são.

Tanto o gameta masculino e feminino não possuem privilégios por serem o que são na hora que a fecundação ocorre, ou seja, não há papeis passivos e agressivos, ou um prêmio a mais por ser um ou outro, pois ambos deixam de lado suas respectivas individualidades para tornarem-se um novo ser, se perdendo e superando. Nesse movimento da vida que é perda e superação, um manter para superar e supera mantendo. Esse novo ser criado da fusão entre os gametas masculino e feminino, carrega consigo tanto as carasteristícas do espermatozoide como do óvulo, sendo ele homem ou mulher; levando isso em conta, é interessante observar que num primeiro momento esse novo ser é andrógino, pois não tem determinação de sexo.

Obviamente há deferenças entre o espermatozoide e o óvulo, mas estas são secundarias, como do fato da estrutura de ambos, o primeiro tem a mobilidade como uma de suas características mais marcantes, é o espermatozoide que procura; o óvulo tem já a sua, voltada para a nutrição e proteção do embrião.

Embora uma analogia comportamental entre homem e mulher utilizando as figuras do espermatozoide e do óvulo sejam, um tanto arriscadas, sempre há quem está disposto a correr esse risco. Alfred Fouillée em Le Tempérament et le Caractère, pretendia definir a mulher justamente por seu óvulo e o homem pelo seu espematozoide, o que é estranho se você considerar que tanto homens e mulheres vieram não só de um ou de outro, mas da fusão de ambos. Homem, mulher, macho e fêmea, são variações de uma base comum que se complementam.

Na vida animal, a fêmea e o macho são escravos de sua espécie, para manter a propagação. A rainha de um formigueiro que passa toda sua vida pondo um ovo por segundo até ficar estéril é tão prisioneira como as formigas que cuidam de sua rainha. A abelha rainha tem que desovar incessantemente, as outras trabalhar incessantemente e os zangões as fecundam e depois são assassinatos.

Nem entre as formigas, as abelhas e as térmitas, nem no caso da aranha ou do louva-a-deus, pode-se dizer que a fẽmea escraviza e devora o macho: é a espécie que, por vias diferentes, devora a ambos. (BEAUVOIR, 1989, pag39)
A espécie escraviza a fêmea para a manuntenção e propagação da mesma, mas da mesma forma pune o macho por tentar escapar a essa escravidão, com seu leve esboço de individualidade por meio de sua sexualidade.


quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Vídeo francês sobre o centenário de Simone de Beauvoir

Não, nós não estamos loucos a ponto de não perceber que o centenário de nascimento de Simone de Beauvoir não é neste ano.

O centenário foi em 2008, obviamente. Mas como estamos com certos problemas de ordem técnica para a postagem do próximo resumo e como não queremos que o blog fique muito tempo sem alguma postagem, não há nada que nos impeça de postar outra coisa que não seja resumo.

Ao pesquisar pelo youtube, este vídeo francês acerca do centenário pareceu uma ótima opção para um post aqui, não apenas pelo motivo de ser sobre o centenário em si, mas é um vídeo curto sobre sua vida e obra, mas conta com um vídeo de arquivo da própria Beauvoir e de sua filha adotiva Sylvie Lebon de Beauvoir e de uma biógrafa da primeira.




FONTE: